PO AÇORES – TURGEO TURGEO - Definição da capacidade de carga para uso turístico de geossítios: uma ferramenta para a sustentabilidade e valorização turística dos recursos naturais dos Açores

DESIGNAÇÃO DO PROJETO

TURGEO - Definição da capacidade de carga para uso turístico de geossítios: uma ferramenta para a sustentabilidade e valorização turística dos recursos naturais dos Açores

CÓDIGO DO PROJETO

ACORES-01-0145-FEDER-000064

OBJETIVO PRINCIPAL

O projeto TURGEO tem como objetivo estratégico contribuir para a sustentabilidade do turismo de natureza no arquipélago, através da definição da capacidade de carga para geossítios com uso turístico dos Açores. Assente em critérios científicos e atentas as especificidades dos diferentes locais e a realização de uma análise empírica com os stakeholders locais, o projeto visa, ainda, a melhoria do processo de tomada de decisão na gestão de geossítios.

Os objetivos específicos do projeto são:

  • estabelecer as bases conceptuais para a definição da capacidade de carga para uso turístico de geossítiosdos Açores;
  • desenvolver uma metodologia para a definição da capacidade de carga para uso turístico de geossítiosdos Açores;
  • aplicar a metodologia desenvolvida a geossítios com uso turístico das ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa e Pico;
  • avaliar as perceções, motivações, opiniões e expetativas de todos aqueles com interesse em desenvolver o turismo em geossítios (stakeholders), tendo em vista a melhoria do processo de tomada de decisão no planeamento e gestão dos geossítios.

ENTIDADE BENEFICIÁRIA

Fundação Gaspar Frutuoso, a Universidade dos Açores, em co promoção com a Associação GEOAÇORES e a ATA - Associação do Turismo dos Açores, Convention & Visitors Bureau

CUSTO TOTAL ELEGÍVEL

141.734,40€

APOIO FINANCEIRO DA UNIÃO EUROPEIA

120.474,24€

DESCRIÇÃO

A utilização de espaços naturais está a crescer em todo o mundo, o que levanta questões importantes relativamente à sustentabilidade destes locais.

Nos Açores, as experiências turísticas em contacto direto com a natureza figuram no top das atrações turísticas, cuja pressão sobre os espaços de visitação tem vindo a merecer um destaque e uma atenção redobrada por parte de utilizadores, de decisores e do público em geral.

É este o contexto do projeto TURGEO e o seu campo de atuação: contribuir para uma gestão sustentada de geossítios e locais naturais com maior pressão turística e definir, segundo critérios científicos objetivos e rigorosos a capacidade de carga destes locais, o que constitui, ainda, uma importante lacuna atual.

A definição da capacidade de carga para uso turístico de geossítios é numa ferramenta fundamental para a sustentabilidade e valorização turística dos recursos naturais dos Açores e um instrumento conceptual e prático para a gestão e planeamento ambiental e turístico, que identifica o valor aceitável de mudanças antropogénicas causadas pelos turistas num dado local (Cifuentes et al., 1992).

Por outro lado, o presente de projeto dá seguimento a trabalhos de geoconservação desenvolvidos nos Açores, comoa estratégia de geoconservação estabelecida pelo Geoparque Açores (Nunes et al., 2011) e as teses de mestrado de Eva Lima (2007) e Ana Filipa Lima (2012), esta última com um trabalho inovador no âmbito da definição da capacidade de carga de geossítios.

Nos Açores estão atualmente identificados 121 geossítios, na sua maioria com uso turístico (Lima et al., 2014). Embora para alguns destes locais estejam já definidas “capacidades de carga”, como é o caso do Ilhéu de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel (400 pessoas/dia) e a Montanha do Pico (160 pessoas em simultâneo e, no Piquinho, 40 pessoas/30 minutos), não está claramente estabelecida a metodologia adotada nesta definição.

Por outro lado, dados recentes do número de visitantes em alguns dos geossítios dos Açores mostram um aumento muito significativo (por vezes exponencial). Dados de 2014 indicam 10.515 visitantes na Gruta do Carvão (São Miguel), 26.048 visitantes no Algar do Carvão (Terceira), 8.802 visitantes na Montanha (Pico) e 99.827 visitantes na Caldeira Velha, número que subiu para cerca de 110.000 no período de janeiro a agosto de 2015.

Tendo por base estes pressupostos, importa, pois, estabelecer uma metodologia de definição da capacidade de carga para uso turístico de geossítios dos Açores, assente em critérios científicos e atentas as especificidades dos diferentes locais e a realização de uma análise empírica com os stakeholders locais. Tal desiderato permitirá, também, melhorar os processos de tomada de decisão relativos à gestão de geossítios,que envolvem as entidades com competências em matérias do ambiente, ordenamento do território e turismo.

Os objetivos estabelecidos e as ações programadas devem, ainda, constituir uma mais-valia para as estratégias de geoconservação em curso na Região, em particular daquelas desenvolvidasno âmbito do Geoparque Açores, integrado em Março de 2013 nas redes europeia e global de geoparques, sob os auspícios da UNESCO.

A metodologia a definir será aplicada a geossítios devidamente selecionados de modo a que constituam “casos de estudo” tendo por base critérios como os maiores fluxos turísticos e pressão sobre os locais (São Miguel), a existência prévia de estudos de gestão de áreas naturais e geoconservação e o tipo de oferta turística existente (e.g. assente no turismo em espaço rural – Pico), a dimensão da ilha e constrangimentos ao desenvolvimento turístico (Graciosa) ou a tipologia dos produtos turísticos (e.g. turismo cultural – Terceira). A escolha das áreas-alvo tem em conta, ainda, as similitudes com outras áreas do arquipélago e o estabelecimento de abordagens comparativas.

RESULTADOS

- Comunicações orais em congressosnacionais e internacionais da especialidade.

- Artigos a publicar em revistas da especialidade;

- Workshop aberto às entidades com competência na gestão ambiental e turística nos Açores e demais profissionais de turismo e ambiente interessados

- Divulgação ao público em geral nos órgãos de comunicação social da região e redes sociais.