AGRO-ECOSERVICES - Avaliação dos serviços dos ecossistemas fornecidos por espécies de artrópodes em agro-ecossistemas açorianos

 

DESIGNAÇÃO DO PROJETO:

AGRO-ECOSERVICES - Avaliação dos serviços dos ecossistemas fornecidos por espécies de artrópodes em agro-ecossistemas açorianos

CÓDIGO DO PROJETO:

ACORES-01-0145-FEDER-000073

OBJETIVO PRINCIPAL:

Aumentar a produção científica de qualidade e orientada para a especialização inteligente.

Os agro-ecossistemas açorianos (pastagens, campos de milho, vinhas, pomares cítricos), dependem economicamente dos Serviços de Ecossistemas (SE). Neste projecto pretende-se compreender e gerir a dinâmica da biodiversidade dos ecossistemas agrícolas insulares para melhorar o funcionamento do ecossistema e a prestação de SE. De facto, as culturas com maior área de cultivo nas ilhas dos Açores são as pastagens, seguidas pelo milho. A rotação do milho-pastagem é comum, ambos servindo à produção animal. Devido à sua longa convivência e estreita relação taxonômica (ambas são gramíneas), várias pragas interagem com ambas as culturas durante todo o ano. Essas interações precisam ser melhor compreendidas, já que se estão observando perdas significativas de rendimento em ambas as culturas. Vinhas e pomares de citrinos estão entre as culturas mais importantes nos Açores. Ambas as culturas têm problemas significativos com pragas e doenças devido a condições ambientais benignas que facilitam a sua propagação e, por vezes, devido a práticas culturais inadequadas.

Os nossos principais objetivos são:

1)         Avaliar os principais serviços ecossistêmicos (ES) e desserviços ecossistêmicos (DE) fornecidos por grupos seleccionados de artrópodes nativos e exóticos (polinizadores e aranhas predadoras, insectos e percevejos verdadeiros e também as principais pragas de insectos) que vivem em habitats cultivados (pastagens, campos de milho, vinhas, pomares cítricos) e em locais de ecossistemas naturais seleccionados que servirão como locais de monitorização de referência;

2)         Estudar as inter-relações entre a funcionalidade da biodiversidade de artrópodes (polinizadores e aranhas predadoras, percevejos, escaravelhos e principais pragas de insectos),  e os SE / DE nos agroecossistemas açorianos seleccionados;

3)         Implementar estudos manipulativos ecológicos para aumentar os SE e possivelmente minimizar a DE nos agroecossistemas açorianos seleccionados;

4)         Seguir a Estratégia da Biodiversidade da UE para 2020 (que prevê na Meta 2, Acção 5), mapear e avaliar o estado dos ecossistemas e seus serviços nos Açores, reportando essa informação na UE e a nível nacional até 2020;

5)         Mapear e classificar o SE que os agro-ecossistemas fornecem através de organismos vivos, usando o protocolo de Classificação Internacional Comum de Serviços Ecossistêmicos (CICES);

6)         Adotar o S/EICAT, para classificar as contribuições com origem nos organismos vivos que os agro-ecossistemas trazem ao bem-estar humano;

7)         Promover a divulgação cientifica visando as diferentes partes interessadas, incluindo o estabelecimento de um projecto piloto de demonstração;

8)         Propor um sistema padronizado de monitorização rápida e confiável para o funcionamento do ecossistema.

 

ENTIDADE BENEFICIÁRIA: Fundação Gaspar Frutuoso / Universidade dos Açores

CUSTO TOTAL ELEGÍVEL: 179. 947,85€

FUNDO EUROPEU DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL (FEDER): 152. 955, 67€

DESCRIÇÃO:

As metodologias que serão implementadas durante o desenvolvimento do projecto incluirão amostragem ecológica de campo da biodiversidade de artrópodes (polinizadores e aranhas predadoras, insectos e percevejos verdadeiros e também as principais pragas de insectos), mas também ferramentas avançadas de monitorização de SE /DE e estudos manipulativos avançados para melhorar os SE e possivelmente minimizar a DE nos agroecossistemas açorianos seleccionados. Por razões de apoio logístico e científico, vamos basear o desenvolvimento do projecto na ilha Terceira, onde o Grupo da Biodiversidade dos Açores tem os seus laboratórios, mas os resultados serão facilmente extrapolados para todo o arquipélago dos Açores.

As comparabilidades, semelhanças e possibilidades de replicação das ilhas açorianas proporcionam oportunidades valiosas para testar e desenvolver teorias sobre o funcionamento dos sistemas bióticos, com especial foco na ecologia de comunidades insulares, biogeografia, macroecologia, agroecologia e gestão sustentável de recursos. Este projecto irá avançar a investigação sobre os SE e DE em sistemas insulares e fornecer directrizes para a gestão de espécies exóticas em sistemas agrícolas. Em resposta aos desafios da investigação em biologia insular, este projecto irá: i) fornecer dados quantitativos sobre a intensidade de vários SE / DE em condições naturais nas ilhas dos Açores, e ii) nos seus agro-ecossistemas. Além disso, iii) serão produzidos novos conhecimentos sobre os efeitos da biodiversidade nativa e não-nativa em processos ecológicos que podem ser benéficos (SE) e / ou prejudiciais (DE) para os seres humanos.

 

RESULTADOS:

Este será o primeiro esforço para quantificar os SE e DE em vários agro-ecossistemas de uma região ultraperiférica da UE, usando os Açores como estudo de caso. Desta forma, iremos contribuir de forma igual para a RIS3 dos Açores e para a Estratégia de Biodiversidade da UE para 2020.

Os resultados deste projecto vão também servir para obter estimativas quantitativas do número mínimo de indivíduos de artrópodes  necessários para manter o funcionamento dos processos ecológicos. Durante o projecto, serão testadas e desenvolvida ferramentas para monitorizar directamente SE e DEs, e os dados quantitativos obtidos ajudarão a articular com mais precisão a relação entre biodiversidade e SE, que continua sendo uma das questões teóricas mais importantes em ecologia.

Finalmente, pretendemos testar até que ponto é possível aplicar o protocolo SEICAT para classificar as contribuições que os agro-ecossistemas trazem para o bem-estar humano, que surgem de organismos vivos, um importante aspecto inovador surge neste projecto; apresentaremos uma nova abordagem metodológica que possa ser prontamente integrada nas práticas e políticas regionais e internacionais.

Consequentemente, além de avançar no conhecimento fundamental da ecologia dos SE e DE em agro-ecossistemas insulares, o projecto AGRO-ECOSERVICES terá várias aplicações potenciais nos domínios social, econômico e tecnológico, através de múltiplos desafios societais.

Esperamos produzir um livro de divulgação em PDF, aconselhando os agricultores e gestores de agro-ecossistemas a aumentar o potencial dos mecanismos ecológicos naturais, a fim de maximizar os benefícios advindos dos serviços ecossistêmicos, incluindo a produção, as condições ambientais urbanas e a qualidade de vida.

Durante o projecto, comunicaremos os nossos resultados à comunidade científica através de publicações em revistas científicas internacionais de alto perfil. Esperamos publicar pelo menos quatro artigos directamente relacionados a este projecto. Prevê-se que os resultados da investigação serão publicados em revistas científicas de alto impact (e.g. Journal of Applied Ecology, Oikos, Insect Conservation and Diversity). Um dos artigos científicos será um artigo de dados de distibuição das espécies de artrópodes e terá como alvo a revista científica Biodiversity Data Journal (Pensoft). Os artigos científicos irão reflectir a natureza colaborativa do projecto e contribuirão enormemente para a agenda global de investigação em conservação biológica e gestão sustentável em ilhas.

Esperamos publicar pelo menos dois artigos científicos de dados descrevendo e listando todos os dados de distribuição e características de artrópodes na revista científica Açoreana, Arquipélago, Life and Marine Sciences.

Na fase final do projecto, será organizado um Workshop Científico na Universidade dos Açores para divulgar os resultados do projecto entre os actores locais, estudantes e outros profissionais que trabalham nos agro-ecossistemas açorianos. Além disso, o Post-Doc irá liderar acções de formação com as partes interessadas em agro-ecossistemas. Pelo menos duas dessas sessões serão implementadas, uma na Ilha do Pico e outra na Ilha de São Miguel.

Será ainda desenvolvido um projecto-piloto de gestão sustentável de parcelas cultivadas, com sugestões para o reforço de SEs num agro-ecossistema dos Açores.

 

Fotografias