Aguas-VivAz: Impacto das águas-vivas e outros invertebrados gelatinosos na ecologia e economia do mar (turismo e pescas) dos Açores.

DESIGNAÇÃO DO PROJETO:

Aguas-VivAz: Impacto das águas-vivas e outros invertebrados gelatinosos na ecologia e economia do mar (turismo e pescas) dos Açores.

 

CÓDIGO DO PROJETO:

ACORES-01-0145-FEDER-000119.

 

OBJETIVO PRINCIPAL:

Aumentar a produção científica de qualidade e orientada para a especialização inteligente.

 

Os inconvenientes causados pelas ocorrências de invertebrados marinhos gelatinosos urticantes são sobejamente conhecidos nos Açores, não havendo ano nenhum em que não sejam amplamente divulgados pelos OCM regionais. Apesar dos impactos causados por estes organismos na pesca e turismo dos Açores não há praticamente nenhum conhecimento científico regional sobre este assunto.

Pela primeira vez pretende-se estudar de forma integrada a dinâmica da ocorrência das principais espécies marinhas gelatinosas nos Açores, tendo como principais objetivos:

1) Rever a biodiversidade marinha dos Açores relativamente aos invertebrados gelatinosos, compilando informações de fontes diversificadas;

2) Estudar a abundância anual e interanual das espécies mais frequentes (águas-vivas e caravelas), utilizando metodologias clássicas e outras mais inovadoras;

3) Relacionar a abundância destes organismos com variáveis ambientais (vento, temperatura, salinidade, nutrientes, etc.);

4) Conhecer o ciclo reprodutivo anual destas espécies, utilizando metodologias histológicas;

5) Caracterizar geneticamente as espécies mais comuns de organismos gelatinosos marinhos que ocorrem nos Açores (“DNA-barcoding”);

6) Analisar a relevância e impacto destas ocorrências na economia do mar (turismo e pescas);

7) Envolver a comunidade local neste estudo no âmbito da “citizen science”;

8) Apresentar soluções que permitam mitigar os problemas causados por estes organismos;

9) Formar um grupo de peritos regionais especializados no conhecimento científico destes organismos marinhos gelatinosos;

10) Aumentar o conhecimento científico regional sobre a ecologia, biologia e taxonomia destes organismos.

 

ENTIDADE BENEFICIÁRIA: Fundação Gaspar Frutuoso / Universidade dos Açores.

CUSTO TOTAL ELEGÍVEL: 179.799,14€

FUNDO EUROPEU DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL (FEDER): 152.829, 27€

 

DESCRIÇÃO:

Este projeto será realizado através do Centro I&D Okeanos-UAc, localizado na Universidade dos Açores, no campus da Horta, que possui instalações (laboratórios, escritórios, centro de mergulho, etc.), diversos equipamentos (por exemplo, sondas portáteis de qualidade da água multiparâmetro, GPS) , transporte (embarcaçõess, etc.), serviços (administração, biblioteca, comunicações) e serviços técnicos de apoio (administrativos, contabilidae, laboratórios, biblioteca, etc.) necessários para implementar o projeto.

A localização geográfica dos Açores, praticamente no meio do Atlântico Norte, é uma grande vantagem devido à ocorrência regular de macrofauna gelatinosa nas águas do arquipélago. Este programa contribuirá para a compreensão de um tópico muito importante e negligenciado no conhecimento dos oceanos, que é de grande interesse para a comunidade científica e também para a sociedade em geral, devido aos seus impactos na ecologia, turismo e pesca.

Os métodos tradicionais usados para fazer a amostragem dos organismos gelatinosos, usando diferentes tipos de redes têm a grande desvantagem de subamostrar esses invertebrados devido à fragilidade de seus corpos, facilmente danificados pelo equipamento, impossibilitando a sua posterior identificação. Assim, usaremos novas abordagens que evitam o uso de grandes redes zooplanctônicas. Pretendemos usar uma mistura de metodologias, das clássicas a outras mais inovadoras. Os métodos tradicionais são baseados em tarnsectos em terra e no mar (para avaliar a abundância relativa dos organismos gelatinosos e suas presas), a histologia aplicada ao estudo do ciclo reprodutivo anual das águas-vivas e a identificação genética (código de barras do DNA) das espécies mais comuns de espéccies gelatinosas. Como métodos inovadores e menos invasivos salientam-se a amostragem por video subaquático (“scooters” e mergulho de escafandro) e aéreo (“drones”) para avaliar a abundância relativa de organimos gelatinosos à superfície e imersos no seu ambiente natural em algumas áreas selecionadas dos Açores (Faial e S. Miguel), bem como o envolvimento da sociedade em campanhas de “citizen science” para estudar a ocorrência e a biodiversidade dos invertebrados gelatinosos nos Açores. As informações recolhidas através destas fontes serão difundidas à sociedade, sobretudo através de uma página da web e /ou de uma app.

 

RESULTADOS:

Os resultados deste projeto serão divulgados à administração pública regional, comunidade científica, escolas locais e sociedade em geral por diferentes procedimentos. A página da web com o formulário de de receção de ocorrências constituirão a principal maneira de divulgar os resultados para toda a comunidade, bem como as comunicações durante os dias abertos da universidade. As informações adaptadas às escolas locais serão fornecidas em colaboração com ONGs locais (OMA - Observatório do Mar dos Açores), clubes escolares e associações de pais e professores, a fim de elucidá-los sobre as precauções a serem tomadas em relação à ocorrência e contato de água-viva. Para esse fim, procuraremos o envolvimento do Hospital Horta para fornecer aconselhamento médico.

A comunicação dos resultados para a comunidade científica será feita através da participação em conferências anuais especializadas (comunicações orais e / ou pôsteres) e em trabalhos a serem submetidos a periódicos de acesso aberto.

A administração regional também será beneficiada com os resultados deste projeto, pois receberá os relatórios técnicos periódicos. Dados básicos mais detalhados também serão fornecidos, se necessário, para serem integrados em bancos de dados públicos (por exemplo, SIGMar-Açores).

Espera-se que os dados recolhidos durante este projeto permitam a fazer a 9 publicações científicas em revistas especializadas ( 6 em revistas internacionais e 3 em nacionais), apresentar 5 comunicações em congressos (2 nacionais e 3 internacionais), elaborar 3 relatórios técnicos (um por cada ano do projeto) e apoiar 4 dissertações académicas (2 mestrado e 2 de doutoramento). 

 

FOTOGRAFIAS: